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Os diversos talentos do músico, designer e artista visual Scott Hansen despontam como Tycho 05. abril 2012

Scott Hansen é um homem de muitos talentos que tem trabalhado incansavelmente para desenvolver sua estética pessoal através de vários meios diferentes. Ele, como Tycho, grava músicas eletrônicas com nuances incríveis para o Gostly International. É co-curador do super respeitado blog ISO50, onde mostra o seu interesse pela música, design, branding e fotografia, da mesma forma que incorpora sua arte visual e trabalhos de fotografia.
 
Scott Hansen — Tycho
 
 
Embora o gosto de Hansen, tanto pela arte, quanto pela música seja nitidamente nostálgico, sua perspectiva moderna imprime um ar atual ao seu trabalho. Como um californiano, os trabalhos de Hansen são frequentemente descritos como "ensolarados", que evocam um sentimento mais contemplativo do amanhecer e do anoitecer e que o deixam meio que à parte da atmosfera pulsante normalmente associada à música eletrônica inspirada nos fins de noite e nos bares. É um perfeccionista que trabalha para harmonizar todos os aspectos de sua produção como Tycho, desde a gravação e produção da própria música até a arte e o design que estão por trás do lindo e deslumbrante LP de seu mais recente lançamento, Dive. Criou um acompanhamento visual para seu show ao vivo editando, renderizando e produzindo efeitos em clipes com imagens de arquivo representando cenas aéreas, náuticas e de aventura numa sincronização perfeita com seu rico plano acústico. Sempre de olho no futuro, atualmente está trabalhando com o diretor Charles Bergquist para criar um fragmento de filme completamente original que ele acredita venha a ser uma ferramenta ainda melhor para expressar a história de sua música.
 
Scott Hansen — Tycho
 
 
Como você fez para criar e tocar músicas que evoluíssem ao longo dos anos? A impressão que passa é que você conservou um som semelhante, mas com uma certa evolução em termos de estrutura sonora.
 
Scott Hansen — Tycho
Acho que de um lado parece ter sido um esforço conjunto e de outro, apenas uma espécie de evolução biológica. Obviamente, à medida que você aprende e pratica, você meio que determina o resultado. Uma coisa que eu queria fazer entre o último álbum e o atual, e é por isso que houve uma longa pausa entre os dois, era aprimorar minhas habilidades como produtor, ser mais do que um músico e compositor. Fui aprender guitarra e tinha por objetivo usá-la como o principal instrumento de criação e ficar longe de alguns dogmas e padrões que tinham caído quando usava o teclado como base. Assim, se o último álbum representou um tipo de protótipo para este som, Dive foi a realização plena e talvez, a partir de agora, eu dê uma guinada em outra direção.
 
 
Você gosta de tocar ao vivo ou fez isso apenas como uma forma de se apresentar como músico profissional?
 
Scott Hansen — Tycho
Eu poderia responder à sua pergunta da mesma forma que há um ano, mas neste tempo minha perspectiva da coisa mudou. Não gostava de tocar sozinho. Sinto que não sou capaz de traduzir o som e de acrescentar coisas ao contexto vivo do passado apenas tocando textualmente as músicas e usando recursos visuais. Então, assim que comecei a trabalhar com esta banda, achei que estar lá em cima, mesmo estando no meio de outras pessoas, deveria ser capaz de mostrar meu trabalho independente deles. Mostrar meu trabalho, sem considerar o que os outros estavam fazendo, realmente fez com que toda a experiência ficasse diferente. E, à medida que superava meus medos e ansiedades associados a estar no palco diante de pessoas e que pudesse aos poucos me sentir mais confortável, que pudesse curtir as coisas como elas eram, acabou, aos poucos, se transformando numa coisa que agora realmente gosto, gosto quase tanto quanto do processo de criação de músicas.
 
 
Quais os lugares que você mais gostou em sua turnê?
 
Eu sempre amei Chicago. Nova York, é claro. Portland sempre acaba sendo um ótimo lugar. Mas essas ainda são cidades americanas, estive em todas elas independente da música. Mas nas primeiras vezes que eu fui à Europa, as experiências foram muito profundas e esta última viagem foi a mais longa que eu já fiz. Ficamos lá por cerca de um mês e durante todo este esse período, ficamos totalmente imersos em outra cultura. Essa foi uma experiência completamente diferente. Havia sempre uma sensação de, 'como diabos essas pessoas sabem quem nós somos?' Antes de ir eu realmente não sabia o que nos esperava ou mesmo se alguém ia nos prestigiar e gostar do que fazemos, mas o retorno que tivemos foi bastante surpreendente. Também tive de me dar um tempo para perceber que estava numa outra cidade, do outro lado do mundo, para dar um show... É incrível fechar um círculo completo, se realizar como artista e ver as pessoas, em um lugar onde você nunca esteve antes, curtindo sua música.
 
Scott Hansen — Tycho
 
 
Sei que você é um grande fã de fotografia e de câmeras vintage, mas parece que agora você está embarcando em algumas tecnologias e formatos novos – como o Instagram. (siga o Scott no blog ISO50).
 
Fotografia é um tipo de assunto delicado para mim agora. Numa determinada época sentia que a fotografia ocupava um grande espaço dentro do que faço, mas agora, nem sequer carrego uma câmera. Isto acontece, em parte porque não tenho mais tempo e não quero carregar uma máquina em minhas turnês, mas, de repente, você se vê diante de uma câmera incrível, com todas essas ferramentas de edição de imagem à sua disposição, então, acho que isso é o que tem acontecido. Gosto da ideia de contar com o Instagram como uma plataforma social. Não uso muito os recursos de edição de imagens. O que acho mais legal nele é que é uma espécie de Twitter baseado em imagens. No final do dia, quando vejo uma foto que tirei e que, olhando esta foto me sinto bem e ela me traz um misto de emoções, penso: 'Cara, se eu tivesse tirado esta foto com uma câmera de verdade, poderia imprimi-la, o que seria ótimo’. Ou quando estou fora, à noite e o iPhone é inútil, eu sempre imagino como seria bom que estivesse com minha câmera de verdade, você entende?
 
Scott Hansen — Tycho
 
 
Mas como você mesmo disse, algumas das fotos que tirou com o iPhone, como aquela na praia em Barcelona, poderiam virar cartazes.
 
Sim, esse dia em Barcelona foi muito legal e é estranho porque a praia realmente não parecia ser interessante. Mas aí também está a beleza da fotografia, você pode idealizar essas cenas a partir de um cenário que a princípio não tem nada de especial, mas que seus olhos viram a imagem de uma forma diferente; você percebeu aquela cena de uma forma especial. Isso é que é o mais legal da fotografia. Você saber que há uma coisa que é real, mas que será retratada através do filtro de seus olhos e da forma como você a enxerga.
 
Scott Hansen — Tycho
 
 
Você nunca tem um tempo, além de quando você dorme, que você fica completamente desligado? Nenhuma informação entrando, nenhuma saindo, nada.
 
Scott Hansen — Tycho
Durante um bocado de tempo, antes do meu último álbum, eu realmente perdi o foco e direção da minha vida como um todo. Nesta fase eu não tinha ideia se queria ou não continuar fazendo música e não gostava do jeito que ela estava. Então, quando voltei à minha vida, fiquei tão feliz de voltar a sentir prazer por aquelas coisas, que a partir de então fui com tudo porque senti que tinha me reencontrado e percebi de forma clara o que tinha de expressar e que isso tudo poderia ser muito emocionante. Desde então não tenho tido muito tempo para descansar, mas acho que é apenas minha forma de ser. Só me sinto bem quando sei que algo está para ser criado ou digerido. Quando estou gravando é quase como se formasse este vácuo que você falou, em minha cabeça e que faz com que eu crie pelo simples prazer de criar. Essa sempre foi minha forma preferida de criar porque desta forma estou, literalmente, fazendo a música que quero ouvir.
 
 
Você publica muito cartazes de publicidade antigos no blog ISO50. O que te atrai nessas imagens e o que você acha que está faltando nas marcas de hoje em termos de estética?
 
Sabe que eu já pensei muito nisso e acho que ainda não cheguei a uma conclusão. Uma questão que eu vivo trazendo à tona é a proliferação dos softwares de impressão que permitem que qualquer um por qualquer trocado possa se sentar e fazer logos e projetos gráficos terríveis. Antigamente, os cafés e negócios da esquina tinham um artista próprio, um artesão, que durante a vida inteira trabalhava com as próprias mãos, fazendo e pintando letreiros. Pagavam caro para ter este material, mas ele era feito uma única vez e durava a vida toda. Agora, ao contrário, as coisas acontecem mais ou menos assim : ‘Oh, precisamos de um logo este ano’, e sabemos que no próximo ano ele vai ter esta mesma necessidade. Então vão para uma gráfica rápida, que também cria o desenho, só que agora é barato e de má qualidade, mas com a grande vantagem de encontrar tudo num único lugar. Acho que o fato do design ser visto com um objeto totalmente descartável tem um papel decisivo nesta questão e acho também que os anunciantes não estão realmente tentando vender suco de laranja para os designers ou artistas, eles estão tentando vendê-lo para todo o planeta e perceberam que não podem ser tão afoitos para vender, precisam só ter uma visão mais ampla e fazer a coisa certa. Então, em função disso, acho que eles se tornaram observadores mais astutos da natureza humana e da forma como as pessoas podem ser e são efetivamente manipuladas. Nós, como artistas, olhamos para tudo isso e pensamos: 'Isso tudo é realmente uma droga’’, mas a verdade é que, para as pessoas que fazem publicidade, vender suco de laranja é tudo o que realmente importa, certo?
 
Links relacionados:
http://blog.iso50.com/
http://ghostly.com/artists/tycho
http://www.minispace.com/en_us/people/profile/tycho/
http://work.charlesbergquist.com/
http://www.blog.charlesbergquist.com/
 
 
 
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